1. Título: Oralidade, corpo e ensino de leitura
Gabriela Lara da Cruz Lucas e Louise Arosa Prol Otero
Considerando que, segundo os dados da avaliação do SAEB, 55% dos alunos de escolas públicas não se alfabetizam nos quatro primeiros anos de escolarização, este estudo dedica-se a diagnosticar algumas manifestações de um conflito que se trava entre oralidade e cultura escrita, observadas no trabalho com alunos que percorrem tardiamente as fases iniciais de alfabetização. Tentar-se-á compreender como uma cultura essencialmente oral está relacionada com o corpo e a sexualidade, e quais as barreiras que estas relações podem impor à aprendizagem da leitura e escrita gráficas. Contribui para esta pesquisa o entrecruzamento de investigações oriundas do campo da psicanálise e de historiadores da leitura. Os dados e relatos foram colhidos em uma ONG que atende diariamente duzentos alunos, entre 6 e 17 anos de idade, moradores de um Cingapura e duas favelas na zona oeste do município de São Paulo.

2. Título: O sujeito do inconsciente e a escrita
Lisiane Fachinetto
A escola tem considerado o erro como algo do não-aprender, e por  isso entende o erro como fracasso escolar. Pensar numa formação de  professores que tome os equívocos enquanto irrupção de algo do  sujeito, do desejo inconsciente implica em tomar o erro numa outra  perspectiva, a saber, como marcas singulares do sujeito. A partir  desse entendimento objetivo abordar os lapsos de escrita enquanto  formações do inconsciente e seus efeitos na produção textual.  Proponho uma inter-versão, ou seja, inclusão de outra versão, outro  significado para o erro na produção textual, a qual possibilita uma  leitura dos próprios lapsos de escrita, um olhar-se. Esse olhar para  a verdade do sujeito implica numa responsabilização pelo próprio  escrito, ao invés de um mero erro
de ortografia apontado pelo outro.

3. Título: Como ensinar poesia na perspectiva dos Gêneros do Discurso
Richard Marcello
O objetivo deste minicurso é instrumentalizar professores  de  língua portuguesa e demais interessados para o ensino de poesia  na  perspectiva dos gêneros do discurso. Através de uma combinação  entre teoria e atividades práticas serão abordados aspectos  temáticos, composicionais e estilísticos.

4. Título: Música e Literatura: as Bocas de Brasa
Márcio Augusto de Moraes
O curso objetiva, estabelecendo analogicamente relações entre Música  e Literatura, oferecer, aos alunos de licenciatura e professores de  português, a música como instrumento de acesso à compreensão e à  produção do texto, bem como de assimilação das características, e  dos bens que legam à cultura contemporânea,  os movimentos literários que identificamos como Classicismo, Barroco e  Neoclacissismo. Percorrendo um repertório musical que passa por  canções do repertório de Chico Buarque, Caetano Veloso, J-Quest,  Claudinho e Buchecha, Kid Abelha, Marcel D2 e Racionais MCs, entre  outros, traçaremos uma via de acesso entre da música para o texto,   a literatura e a produção textual

5. Título: A narrativa na escola: A produção de textos narrativos no Ensino Fundamental
João Nemi Neto
Buscando conceituar gêneros do discurso, gêneros textuais e tipos de texto apresentamos elementos da discussão recente sobre o assunto entre os pesquisadores na área de ensino de língua portuguesa. Em seguida, apresentaremos aos participantes propostas de trabalho com os gêneros narrativos para alunos do Ensino Fundamental. Por meio de atividades práticas e lúdicas e oficinas de escrita, pretendemos mostrar aos participantes diversas abordagens para o trabalho com os gêneros narrativos ressaltando a importância da narrativa como resgate da memória pessoal e familiar dos alunos e como forma de organização da experiência pessoal dos jovens estudantes.

6. Título: Alfabetização: a escola e o enlace do sujeito com a escrita e a leitura
Anna Rita Sartore e Sheila Oliveira Lima
O objetivo do curso é discutir a função da linguagem na constituição do sujeito e as implicações da assunção desse paradigma para a escolha de práticas escolares que favoreçam os processos de alfabetização e de leiturização. Partindo de uma perspectiva que transita entre a Lingüística e a Psicanálise, caracteriza-se a alfabetização como um processo que extrapola o mero domínio do código de um idioma, para entendê-la como um momento que instaura o sujeito em um “outro lugar” na língua. A partir dessa premissa, propõe-se que a efetivação do sujeito leitor conta não só com processos cognitivos, em torno dos quais se alicerçam os diferentes métodos com suas respectivas técnicas. De fato, a apreensão da língua envolve a subjetividade e, enquanto efeito, excede o objetivo pragmático da comunicação. Pelo fato de o processo de alfabetização envolver a singularidade, eventualmente despontam dificuldades, às quais os métodos não conseguem socorrer e, para justificar sua ocorrência, o discurso hegemônico das ciências pedagógicas as atribui a déficits de toda a ordem, paralisando o trabalho do professor.  Em vista disso, além da discussão a respeito dos aspectos teóricos relativos ao conceito de língua e de linguagem que leva em conta a incidência da subjetividade, o curso pretende apontar possíveis caminhos de trabalho, dentro da instituição escolar, que favoreçam a constituição de sujeitos efetivamente leitores.

7. Título: Como descrever e analisar o trabalho docente
Sandoval Nonato Gomes Santos
A investigação dos modos de circulação de objetos de saber sobre a linguagem na
aula de língua materna tem sido apontada como indispensável para que se compreenda como tais saberes adquirem o estatuto de objetos ensinados, em uma situação cujos contornos locais? As interações entre os participantes da aula ? são em grande medida traçados em conjugação com determinações socioculturais e institucionais mais amplas ? que definem um espaço (milieu) e um tempo para o ensino e a aprendizagem (v. Batista 1997; Dolz, Ronveaux & Schneuwly (no prelo); Dolz & Schneuwly 2002; Matêncio, 2001; Schneuwly, Cordeiro & Dolz 2006). Com base nessas percepções, o MINI CURSO ora proposto visa expor e discutir resultados de um conjunto de estudos voltados à investigação da circulação de objetos de ensino em práticas de ensino-aprendizagem do português, especificamente daqueles voltados à tematização das formas com que se constrói o trabalho docente. Complementarmente, o mini-curso propõe apresentar e discutir os dispositivos metodológicos de geração, descrição e análise de dados implementados nesses estudos.

8. Título: O sistema literário de Antonio Candido e o livro didático
Francisco Gonçalves Lima Júnior
Objetivo: O curso pretende apresentar e comentar alguns temas e autores da crítica literária brasileira (Afrânio Coutinho, Antônio Candido e Haroldo de Campos), abordando questões relacionadas à apreensão literária da experiência histórica brasileira. Primeiramente, serão discutidas algumas particularidades da literatura e da crítica no Brasil, especialmente de seu caráter polêmico entre o sistema de Candido e a crítica de Haroldo de Campos. Em seguida, serão abordados estudos envolvendo a discussão do que é ou não literatura a partir das teorias da análise do discurso como a de Maingueneau, do Grupo U, de Liége, e principalmente com Michel Foucault, tendo como parâmetro literário a obra de Gregório de Matos. O estudo da tradição de crítica literária no Brasil pode contribuir não apenas para apreender os conhecimentos acumulados sobre obras particulares, mas também para aprofundar a reflexão sobre os problemas estéticos postos pela experiência histórica brasileira. Nesse sentido, acompanhar o desenvolvimento dos estudos literários no Brasil possibilita compreender a dinâmica da vida cultural brasileira, discutindo diferentes perspectivas sobre a literatura e sobre o país. Busca-se, finalmente, estudar a tradição crítica tendo em vista a possibilidade de se refletir sobre a função da crítica literária brasileira no livro didático.

9. Título: Oralidade, corpo e ensino de leitura
Gabriela Lara da Cruz Lucas e Louise Arosa Prol Otero
Considerando que, segundo os dados da avaliação do SAEB, 55% dos alunos de escolas públicas não se alfabetizam nos quatro primeiros anos de escolarização, este estudo dedica-se a diagnosticar algumas manifestações de um conflito que se trava entre oralidade e cultura escrita, observadas no trabalho com alunos que percorrem tardiamente as fases iniciais de alfabetização. Tentar-se-á compreender como uma cultura essencialmente oral está relacionada com o corpo e a sexualidade, e quais as barreiras que estas relações podem impor à aprendizagem da leitura e escrita gráficas. Contribui para esta pesquisa o entrecruzamento de investigações oriundas do campo da psicanálise e de historiadores da leitura. Os dados e relatos foram colhidos em uma ONG que atende diariamente duzentos alunos, entre 6 e 17 anos de idade, moradores de um Cingapura e duas favelas na zona oeste do município de São Paulo.

10. Título: Compreensão de textos: entre a decodificação e o vale-tudo
Patrícia Aquino
O trabalho com a compreensão de textos nas aulas de Língua Portuguesa tem deixado a desejar por algumas razões: uma das principais consiste, segundo Marcuschi (2001), no fato de a compreensão ser, em grande medida, confundida com a mera decodificação. Outra razão está na falta de sistematização que permeia as aulas de “leitura e interpretação de textos”. O objetivo desse minicurso é, a partir de reflexões sobre a concepção de leitor como sujeito do processo de ler (Brandão e Micheletti, 2002), analisar textos em que os diferentes níveis de leitura (Geraldi, 1990) são perceptíveis – portanto, previsíveis para o professor – e, diante dessas análises,  propor questões específicas para o desenvolvimento da compreensão, a fim de efetivamente trabalhar, em salas de aula dos Ensinos Fundamental e Médio, a habilidade de apreensão dos sentidos possíveis de um texto (Eco, 1997). O material de análise compreende textos de literatura infanto-juvenil e tirinhas.

11. Título: O ensino de leitura e escrita no EF e no EM.
 Flávio Galvão Pereira 
O objetivo deste minicurso é discutir, com base nas teorias desenvolvidas pela Escola Francesa de Análise do discurso e pela Lingüística Textual, propostas pedagógicas de ensino de leitura e redação. O foco principal será a elaboração de possíveis atividades para o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, tais como o trabalho em grupo, propostas de redação e o trabalho com diferentes gêneros textuais.

12. Título: O que a noção de erro em Inglês, como língua estrangeira, nos leva a interrogar na relação sujeito-linguagem de quem fala e de quem escuta?
Maria Victória G. Vivacqua
Esse minicurso tem por objetivo problematizar a noção de erro na relação sujeto-linguagem  em Inglês, como língua estrangeira, considerando o sujeito que fala e o sujeito que escuta. Para encaminharmos nossa discussão, apresentaremos algumas perspectivas teóricas sobre erro. Partindo de uma concepção behaviorista de língua e aprendizagem de LE, Corder (1967) afirma que o erro pode ser decorrente de estratégias de ensino utilizadas inadequadamente pelo professor e/ou uma estratégia do aprendiz para testar hipóteses acerca da LE, enquanto Selinker (1971) considera que o erro pode resultar de processos que remetem à interferência da língua materna (LM) na LE. Pym (1997), em estudos sobre tradução, discute o erro como binário e não-binário, colocando em cena o fato de um erro tratar-se de uma escolha ou lapso do tradutor. Considerando tais perspectivas, pretendemos tratar de alguns episódios em que há ocorrência de erro, de modo a mostrar que há uma cisão entre quem fala e quem escuta, cujos desdobramentos dar-se-ão tanto na reinterpretação da teoria quanto na prática docente.

13. Título: Domínios e Fronteiras nos cursos de Letras: Lingüística e ensino de Língua Portuguesa
Jorge França de Farias Jr
Para fundamentar essa discussão, procurarei discutir aqui questões que se aplicam diretamente ao contexto da discência e da docência dentro do âmbito contextual do aluno de Letras. Pretendo trazer à tona questionamentos em torno da representação cultural que envolve o dilema desse aluno entre o domínio da gramática, exigência do mercado de trabalho e da sociedade, de um modo geral, e o da lingüística, trazido pelas instituições de ensino superior responsáveis pelos cursos de Letras no Brasil, principalmente depois da década de 50.  Poderia começar afirmando que o graduando em Letras, quando fala sobre as questões referentes ao ensino de língua materna, apresenta um discurso filiado em duas ordens discursivas: a gramatical e a lingüística. Essa divisão provoca certo incômodo porque estabelece divisores entre conhecimentos que, necessariamente, quando se trata do ensino de língua materna, estão entrelaçados. Nesse sentido, o gesto de compor uma representação de si como professores responde não só a uma exigência social, mas também partilha da compreensão dessa identidade de professoralidade configurada nos/pelos espaços de discursos que se propõem a esse fim (Oliveira, 2000, p. 15). Conseqüentemente, o discurso do graduando resulta, assim, de certa combinação de traços acumulados e produzidos no universo das práticas socioculturais.

 

Diretora: Profa. Dra. Sonia Penin

Reitor: Prof. Dr. Suely Vilela